
Depois de 100 Balas, Brian Azzarello e Eduardo Risso novamente se reuniram para trabalhar em Homem do Espaço, um quadrinho um tanto quanto desconhecido do grande público atualmente. Tanto que, no Brasil, a obra foi apenas publicada dentro finada revista Vertigo da Panini em 2012, não conseguindo sequer emplacar um encadernado reunindo a obra completa. Isso deve porque ela não se desenvolveu bem ao longo de seus nove números, decepcionando as altas expectativas que haviam sido depositadas nesse novo empreendimento entre Azzarello e Risso.
O lançamento da série em terras tupiniquins veio cercada de uma expectativa extra, pois a edição brasileira sairia apenas com quatro meses de diferença em relação à americana, algo raro de se acontecer nos comics. Apenas para efeito de comparação, o reboot da DC na Panini está em geral oito meses atrasada, e a mega-saga A Essência do Medo, da Marvel, chegou com quase um ano de diferença.
Apesar das credenciais de peso da HQ, a minha impressão que Homem do Espaço, Azzarello acabou sendo Azzarello demais. Claramente o roteirista pesou a mão naquilo tudo que lhe deu reconhecimento em 100 Balas: violência, diversos núcleos de conflito e linguagem coloquial. Nesse último principalmente.
Não se pode responsabilizar a linguagem usada como o principal problema da série, mas sem dúvida prejudicou bastante. Nem é o caso de culpar a tradução para o português (que, aliás, foi muito bem feita considerando o desafio), mas sim o próprio Azzarello que se utilizou de uma infinidade de coloquialismos e neologismos que, de tão frequentes, deixou certos diálogos difíceis de entender. Uma vez que o leitor percebe que está gastando mais tempo para decifrar as falas do personagens do que para prestar atenção na trama, surge o sinal de alerta de que algo não está legal.
Particularmente, nem mesmo depois das edições iniciais eu me acostumei com o estilo e o problema se estendeu por praticamente por todas as noves edições. Além disso, a série padece de outros problemas igualmente prejudiciais, como o excesso de twists. O roteiro possui tantas viradas de roteiro que em determinado ponto tudo se torna um tanto irrelevante e quase sem efeito dramático. Em várias passagens, precisei retomar páginas para me certificar que estava ciente dos rumos da história, pois de cenas vazias de sentido há várias. Creio que se a minissérie poderia se virar bem dentro de cinco edições.
No entanto, há ponto positivos a serem mencionados, como a ótima retratação futurística construída. Parece bastante crível o modo como foi ela foi desenhada por Risso, com seu estilo noir e sombrio. A arte do autor argentino continua ótima e se salvou do insucesso de Azzarello, pois ela é o grande atrativo da série, apesar de alguns quadros mal construídos. As capas assinadas por Jock também estão ótimas.
Relevando a questionável qualidade da série, é de se louvar a decisão editorial que trouxe a série tão rapidamente para solo brasileiro, apesar de se poder questionar se a opção de lançá-la em um encadernado não teria sido mais acertada.

Resenha originalmente publicada no finado blog Dimensão Nona Arte em 17 de janeiro de 2013.
