A Vitrine | TDAH cultural

Eu começo esse texto admitindo pela primeira vez sofrer de um grau avançado e crônico de TDAH cultural ou hiperfoco rotativo. Essa condição ainda não documentada na literatura médica, da qual não tenho nenhuma informação a respeito de sua incidência na população em geral, é caracterizada por uma alta rotatividade de interesse em artes e mídia. De tempos em tempos eu me concentro avidamente no consumo de determinada mídia, até que, semanas ou meses depois, eu passar para outra, quase abandonando aquela atividade que por tanto tempo foi tão prazerosa.

Acontece que ela não fica abandonada por muito tempo. Essa atividade é, de tempos em tempos, retomada, com igual avidez, apenas para ser substituída novamente. E assim vai.

Por exemplo, recentemente, o bichinho dos animes me mordeu. Pesquisei profundamente sobre os lançamentos da temporada, bem como aqueles clássicos instantâneos que todo mundo está falando. Ao longo do meu frenesi, selecionei diversas séries que me convenci que não poderia mais viver sem assistir. Lamentava sobre a minha pouca falta de tempo livre, que me impedia de assistir todas aquelas horas de conteúdo indispensáveis. Assisti dezenas de episódios ao longo de algumas poucas semanas.

Porém, sem qualquer prévio aviso, jogar Days Gone ficou muito mais divertido. E desde então, quando muito, eu passei a assistir apenas uns dois episódios de anime por semanas. Com sorte, terminarei de jogar Days Gone antes que o meu hiperfoco em games acabe e seja direcionado para literatura ou quadrinhos.

Embora essas fases não me impeçam de ler ou fazer outras coisas (felizmente, estou conseguindo manter um hábito de leitura saudável durante essa montanha-russa), acho que se eu mantivesse um ritmo regular de atividades, os resultados seriam muito melhores e mais previsíveis.

Como partidário da teoria de que o consumo de cultura não deve ser submetido a regras de produtividade, e sim algo associado ao bem-estar e enriquecimento pessoal, não posso de deixar de me sentir um pouco mal ao olhar para trás e ver que deixei tantos projetos e obras inacabadas.

Não que esse seja um problema que sequer mereça uma noite de sono mal dormida. Ultimamente, estou tentando conter essa inconstância com uma dose redobrada de disciplina: hora para literatura, hora para jogar, hora para escrever… por aí vai. Seria ótimo que uma atividade de lazer não precisasse ficar tão atrelada a uma agenda engessada, porém é assim que meu cérebro funciona.


Eu li… Um Cão no Meio do Caminho

Um cão no meio do caminho | Amazon.com.br

O fato de eu ter escolhido este livro para ler, antes dos incontáveis clássicos da literatura que pacientemente esperam a sua vez para serem lidos, é um mistério para mim. Não tinha qualquer referência prévia sobre a autora ou o gênero da obra. Talvez o cachorro na capaz tenha ajudado. Essa experiência, que poderia ter dado muito errado, no fim, foi agradável. O livro, escrito no português de Portugal (que em nada atrapalhou a leitura) mostra como protagonista e sua vizinha tentam superar os traumas de vida ajudando-se mutuamente, apesar das fortes opiniões contrárias sobre cachorros. Embora a primeira metade da obra tenha sido um pouco arrastada, no final o apego aos personagens evitou que eu abandonasse a leitura.


Eu vi… Superman

Superman (2025) - IMDb

Se você busca uma análise aprofundada de como o filme foi influenciado ou impacta o universo cinematográfico da DC, está no lugar errado. O meu conhecimento sobre filmes de super-herói é superficial e se limita a poucos filmes. Dito isso, eu admito que gostei do novo Superman (2025 / Dirigido por James Gunn). Ao contrário da versão sombria de Zack Snyder, a nova encarnação do Azulão é otimista, destemida e, para falar francamente, menos metida a besta. Sempre desgostei de todas as tentativas cinematográficas de deixar os super-heróis carrancudos. Isso não quer dizer que exista impossibilidade de contar histórias adultas de super-heróis. Porém, não é uma combinação fácil de se fazer. Nos quadrinhos, para ficar apenas no exemplo mais célebre, Alan Moore teve sucesso na empreitada com Watchmen. Nos cinemas, os melhores resultados sempre saíram daqueles filmes com uma pegada mais descontraída e aventuresca, vide o Homem-Aranha de Sam Raimi e Guardiões da Galáxia do próprio James Gunn. E essa foi a mesma receita seguida agora por Gunn, que ancorado por um ótimo elenco e por cenas de ação bem desenhadas, entregou o melhor Superman desde Christopher Reeve.


Eu joguei… Come Sail Away!

Jogo Come Sail Away! | Compara Jogos

Agosto foi um mês quase não joguei videogame. Porém, o hobby de jogos de tabuleiro segue a todo vapor e Come Sail Away! (Galápagos, 2025) é a mais nova adição da coleção. No jogo, você assume o papel de recepcionista de um luxuoso navio que precisa acomodar os inúmeros passageiros em devidos seus lugares. A mecânica do jogo me lembrou um pouco de Azul, que obriga o jogador a posicionar as peças respeitando determinadas regras. Porém, Come Sail Away! é mais dinâmico, embora requeira muito pouca interação entre os jogadores. Ele quase entra naquela categoria de jogos solos em grupo, afinal, a interação entre os jogadores praticamente se limita ao momento em que os jogadores trocam de carta e quando o adversário preenche as acomodações primeiro, recebendo a pontuação correspondente. Essa ausência de um embate mais direto deixa o jogo, com o tempo, menos atrativo.


Quero ler… Questão Por Dennis O’Neil E Denys Cowan Vol. 1

Que ironia que justamente a primeira obra do “Quero ler” seja justamente uma edição que provavelmente não vou ler. Isso porque este omnibus do Questão é um catatau de 952 páginas que está chegando as lojas pelo pomposo valor de R$ 428,90! Como esse valor está bem acima do que estou disposto a gastar em um único quadrinho, provavelmente ficarei sem ler essa série àquela fase incrível da DC no final dos anos 80 e início dos anos 90, que nos agraciou com clássicos como o Arqueiro Verde de Mike Grell e Gavião Negro de Timothy Truman. Dennis O’Neil e Denys Cowan levam o personagem da antiga Charlton Comics a questionar os métodos praticados pela polícia da corrupta Hub City enquanto empreende suas próprias investigações. O lançamento da Panini compila os 27 primeiros volumes da série The Question (1987), que teve 36 edições e dois anuais em 1988 (também incluso no omnibus) e 1990. A série foi retomada duas vezes: a primeira em um especial único em 1997 e a última (a 37ª edição) em 2010 como parte do evento A Noite Mais Densa .


Quero ver… The Paper

🚨'THE PAPER' ganha data de estreia no Brasil! O novo derivado de 'The  Office' chega dia 18 de setembro pela HBO Max.

The Office é uma das séries da minha vida. Tirando aquelas séries que assistia durante a hora do almoço no SBT ao longo da minha infância e adolescência (Chaves, Um Maluco no Pedaço, X-Men Evolution, entre outros) nenhuma outra série e consegui assistir mais de uma vez. E Deus sabe como eu conseguiria assisti-la pela terceira vez. Por isso, não é sem expectativa que recebi a notícia de que The Paper, a nova série dos mesmos criadores de The Office, chegou ao HBO Max. Apesar dos criadores comuns, de pertencer ao mesmo universo e de até ter um personagem em comum (Oscar), não creio que a nova série alcançará o mesmo sucesso da predecessora. Além de serem outros tempos para as séries de comédia, dificilmente outros atores conseguirão ter uma conexão tão forte com o seus personagens quanto Steve Carrell (Michael Scott ) Rainn Wilson (Dwight Schrute) conseguiram.


Quero jogar… S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl

S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl

Exceto por um curto período durante a faculdade, eu sempre tive um Playstation em casa. Embora não possa ser reconhecido como um gamer raiz, os jogos eletrônicos sempre fizeram parte das minhas horas de lazer. O domínio do console da Sony somente foi quebrado quando comprei um Nintendo Switch lá pelos idos de 2017. Porém, eu nunca tive um XBOX. Isso que dizer que nunca joguei algumas franquias clássicas da marca, como Halo, Gears of War, Forza etc. Tudo isso em razão da agora praticamente morta guerra dos consoles, fenômeno que rivalizou Sony e Microsoft ao longo de décadas e que hoje praticamente acabou ao vermos vários clássicos de cada plataforma verem a luz do dia na concorrência. Hoje em dia podemos ver Age of Empires II e Gears of War Reload no Playstation 5 e Helldivers 2 no XBOX Series. Porém, o jogo que estou mais ansioso para ter a exclusividade quebrada é S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl, exclusivo do Xbox que terá sua versão de Playstation lançada um ano depois do seu lançamento original em 20 de novembro de 2025. O jogo acontece dentro da Zona de Exclusão de Chernobil e mistura elementos de tiro em primeiro pessoa, sobrevivência e terror. Três gêneros que eu adoro. Eu joguei as primeiras horas no Xbox Cloud Gaming da minha TV Samsung, mas a qualidade do streaming não estava satisfatória e então parei. Porém, adorei cada minuto da gameplay e mal posso esperar para continuar.


Recomendação aleatória… FocusReader (aplicativo)

Uma das minhas mais recentes obsessões digitais e vasculhar a internet e app’s stores a procura de aplicativos e programas leitores de RSS. Sou um grande fã dessa categoria de aplicação de compila os posts dos mais variados sites da internet. São bem úteis para cracudos como eu que gostam de olhar as notícias de sites nacionais e gringos. Porém, não é fácil encontrar um app que preencham todos os requisitos que eu considero indispensáveis. Para mim, os leitores de RSS precisam pelo menos ter uma interface bonita, possibilidade de personalização da fonte, âncora de progresso na leitura, quebrador de paywall e, talvez mais importante, gratuito ou, pelo menos, barato. Acho que já testei todos: Readwise, Inoreader, Pluma, Feeder, Feedy e vários outros. Ainda sou usuário do Inoreader, mas o FocusReader vem preencher uma lacuna que inexplicavelmente o concorrente não preenche: a âncora de leitura. Para textos longo, poder retornar ao texto no exato ponto da última visualização é valiosíssimo. E isso o FocusReader faz muito bem.

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