EU LI | Condição Artificial

Livro deixa no leitor a sensação de experiência incompleta


SINOPSE | Um robô com o sistema hackeado (por ele mesmo) e longe das amarras da empresa que o fabricou não se importa mais com sua missão original: matar sempre que for preciso; ele quer apenas ter sossego para assistir milhares de séries de TV. Sozinho. Em paz. Contudo, antes de começar sua vida tranquila entre os humanos, o robô precisa ter certeza de que eventos suspeitos que ocorreram no passado não voltarão a se repetir. Afinal, a última coisa de que necessita é colocar pessoas em perigo. Para desvendar o que aconteceu mesmo depois de ter parte da memória apagada, ele deverá confiar em uma nave de transporte petulante e em um novo grupo de humanos — que parecem estar em uma enrascada maior ainda.


O pessoal na internet adora se vangloriar de que leu determinada obra antes dela ser adaptada à TV ou ao cinema e então virar modinha. Porém, não vejo nenhum problema em admitir que vários livros e quadrinhos que me interessaram foi por causa do sucesso de sua adaptação. A minha peculiaridade é que, na maioria dos casos, eu passo longe da adaptação e dou preferência a ler a obra original.

Esse é o caso da série Diários de Um Robô-Assassino, criada por Martha Wells em 2017 e adaptada para a TV pela AppleTV+ em 2025. O primeiro volume, Alerta Vermelho, me surpreendeu pela concisão e altas doses de ação.

Cento e poucas páginas que vão direto ao ponto, sustentando tensão do início ao fim. Isso, infelizmente, não continuou na sequência. Condição Artificial começa de onde volume um terminou: com o robô-assassino recém emancipado e em busca de uma vida independente. Porém, a vida longe das amarras da empresa que o fabricou não quer dizer uma vida em que ele pode mostrar a todos quem ele é. Seu sistema haqueado, que lhe confere independência de ação e pensamento, continua sendo, ao mesmo tempo, um risco e um ativo importante na sua busca para saber um pouco sobre seu passado. Passado esse que o leitor não vai descobrir após a leitura do livro.

Ou seja, além dele não ter o mesmo ritmo que tanto gostei no volume anterior, a sequência não responde ao maior mistério da história. Com isso, Condição Artificial atingiu o curioso status de livro-capítulo: de tão pequeno e incompleto, terminei a leitura frustrado e decidido a não continuar com a série.

Artificial Condition

Avaliação: 2.5 de 5.

AUTOR: Martha Wells

TRADUÇÃO: Laura Pohl

EDITORA/ANO: Aleph/2025

PÁGINAS: 224

GÊNERO: Ficção-Científica

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